What does wish mean?sábado, 28 de março de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
Running in circles

Quantas torções estamos dispostos a dar na vida pensando que iremos chegar a sítios diferentes? Não será o anel de Moebius uma metáfora da própria condição humana? Escolher a ausência de escolha?
Se calhar, o busílis da questão está em pensarmos, ilusoriamente, que nos é dada a possibilidade de escolher a direcção a seguir.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Paisagem de chuva
Bernado Soares
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Não sei o quê desgosta
A minha alma doente.
Uma dor suposta
Dói-me realmente.
Como um barco absorto
Em se naufragar
À vista do porto
E num calmo mar,
Por meu ser me afundo,
Pra longe da vista
Durmo o incerto mundo.
Fernando Pessoa
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
terça-feira, 7 de outubro de 2008
O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo.
Cansaço...
Álvaro de Campos
segunda-feira, 21 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
Mente sã em casa doentia!
Poderia ser uma história kafkiana a que se tem construido em minha casa. Cada vez que me aproximo e abro a porta, deparo-me com complicadíssimos labirintos que a minha lógica rasteira não consegue resolver. Entro numa divisão e vejo objectos estranhos que parecem ganhar vida e mover-se de dia para dia. Quando julgo ter acabado de resolver um enigma já outro se me apresenta. Isto não tem fim! A minha casa metamorfoseou-se e quer arrastar-me, juntamente, na confusão.Hoje vinguei-me. Fechei a porta e fui domir a sesta. Que bem que me soube esta pequena vingança!
terça-feira, 15 de julho de 2008
Uma questão de imagem
Costumo dizer que as pessoas têm uma ideia errada de mim. Quando penso nisso questiono-me se não serei eu própria que ajudo a construir essa imagem desfocada daquilo que eu penso ser. Vamos por partes; há quem julgue que me tenho em grande conta, com manias de super-mulher, megalómana, que se julga com uma capacidade extrema de trabalho, capaz de fazer um pouco de tudo, rápida, pragmática mas que,no fundo, não é esse o meu verdadeiro eu. Há quem pense que o meu lado mais genuíno reside nas minhas fragilidades ou na minha maior fragilidade que é, no fundo, o jeito inato para me vitimizar, para dizer que a vida foi madrasta comigo, que é tudo difícil e tirado a ferros e sei lá mais que lamentos. De facto, até acho que me vitimizo, que sou amarga e que tenho uma vida demasiado pesada, pelo menos, em relação às expectativas que construí referentes à minha vida. O que eu não sei é a origem dessa vitimização que é, de facto, um traço recorrente em mim.
O que é certo é que por debaixo da máscara de fortaleza, existe um ser humano frágil, com cicatrizes, carente, com uma grande necessidade de ser aceite e amado pelo outro. Será que tudo o que faço é para agradar o outro? E o que faço eu para me agradar?Amor e uma cabana!
Vivemos numa sociedade cada vez mais consumista e consumidora de sonhos. Entram-nos pelos olhos imagens de vidas perfeitas, passadas em casas de sonho, com relvados verdejantes, piscinas, cadeirões e recantos que fariam a delícia do nosso ego.Exteriormente podemos sempre mobilar-nos com o que está mais "in" e próximo do que nos seduz e seduz o outro. E interiormente, o que pode o dinheiro fazer por nós? Construir a nossa identidade?
sexta-feira, 11 de julho de 2008
"Laivos de análise selvagem"
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Sobre o olhar!
Porque o meu blog é, acima de tudo, feito de imagens, partilho aqui algumas em que o meu olhar se tem demorado e deliciado.
domingo, 29 de junho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Untitled

quarta-feira, 25 de junho de 2008
sexta-feira, 20 de junho de 2008
A Mabel pensa?
Hoje começei a ler um livro novo:"O livro do Riso e do Esquecimento", de M. Kundera. Logo no prefácio deparo-me com uma frase que me toca singularmente. Pois bem:domingo, 15 de junho de 2008
Barreiras!
sábado, 31 de maio de 2008
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Verborreias!
Há alturas na vida em que tudo desafina e se desconhece.Neste palco , onde todos somos actores, há um ponto que nos vai ditando as falas quando a memória se nos dilui. Que tragédia!
Temos um corpo mas a memória não é nossa. Parecemos marionetas sem vida, à procura de sangue que se injecte nas veias e nos faça reerguer.
Tudo o que digo parece desprovido de sentido.
Talvez.
Às vezes, a vida também não parece fazer qualquer sentido. Faz tudo parte do nosso percurso. Até o absurdo!
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Instantes

As crianças têm um condão de fruir plenamente a realidade, sem a questionar e problematizar.
O outro dia , quando fui buscar o meu filho à escola, senti-me, por uns momentos, entrar neste mundo descomplicado quando, o seu grupo de amigos me conduziu até junto de uma descoberta maravilhosa que tinham feito na hora do recreio. Tratava-se de uma minhoca que se arrastava pela terra e que tentava encontrar, a todo o custo, um buraco para se enfiar. Entre risos e olhos curiosos, houve uma amiga do meu filho que me abraçou, pois todos estavamos de gatas a ver a minhoca, e me deu beijinhos apertados. Disse-me: "cheiras bem" e de seguida deu-me um grande abraço e mais beijinhos. Os outros, todos à minha volta, agarraram-se a mim para que eu brincasse com eles. Foi um momento de pura felicidade. Saí do colégio com um grande sorriso no rosto e pensei que há momentos únicos na vida que guardamos para sempre no livro das nossas memórias.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
O meu pompom!
O outro dia, quando brincava com o meu filho, decidimos fazer um pompom. Enquanto entrelaçava os fios numa rodela de papel, pensei como me sentia interiormente desamparada. Ao entrelaçar o fio veio-me à memória que as coisas boas da vida precisam de tempo e de imensas voltas até se atingir um resultado final.Acabei o pompom e o gosto azedo da minha condição subiu-me à boca. Parece que cá dentro construí um espaço de aridez, de desconforto, de terra ceifada que recusa novas sementes.
Hoje, passado alguns meses, o meu pompom interior começou a desabrochar. Começo a pensar que a vida não tem de ser um desalento, um desencanto e que ainda há espaço para deixar crescer dentro de mim um campo de papoulas viçosas.
domingo, 13 de janeiro de 2008
O ideal!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
O que não nos mata torna-nos mais fortes!
domingo, 9 de dezembro de 2007
Bolas!
Reflectida numa bola de cristal, a vida é frágil, vazia, superficial.Ao primeiro olhar, o que se vê é apenas a sua exteriorização e o seu reflexo, muitas vezes, condicionado pelo olhar do outro. O próprio, isto é, aquele que é e habita o interior da bola, tem , como muitas vezes se diz, a vida nas suas mãos. O que faz com ela é sempre uma incógnita dependendo das múltiplas variáveis que o tempo lhe introduz.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
domingo, 2 de dezembro de 2007
sábado, 1 de dezembro de 2007
Untitled
Manter-se erguido, mesmo quando o corpo e a alma estão disformes, é àrduo. Há momentos em que simplesmente estar, observar e ser observado se torna demasiado pesado. Quando se instala no corpo a tristeza, a fragilidade, o medo e a angústia, tudo começa a corroer-nos e acabamos por ser estatuetas humanas com recheio de pedra e cal.Acredito, no entanto, que somo muito mais que o nosso recheio corporal, caso contrário, ficaríamos eternamente presos a uma base que não nos deixaria cair nem viver.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
A geometria do touro
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
O coador!
O coador não é um mero utensílio de cozinha. É, digamos assim, uma espécie de orgão que nos falta desde a nascença. Tudo seria bem mais fácil se ao primeiro abrir de olhos para o mundo tivessemos um orgão que nos coasse a dor - um coa-dor. Uma espécie de firewall interna que aparasse as balas que a vida, as pessoas que nos rodeiam e nós próprios vamos disparando violentamente contra o nosso íntimo.Hoje tenho a plena noção que o meu coador não foi implantado atempadamente e que a minha firewall perdeu há muito a actualização. Deve ser por isso que já não estou a aguentar a quantidade de virus com que sou diariamente invadida. Começo a perder velocidade e a dar, demasiadas vezes, erros fatais.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Desencaixe
Presentemente lido com alguns problemas de encaixe. Tal como as crianças, que por tentativa e erro, vão encaixando as diferentes formas geométricas nas respectivas ranhuras, tento encaixar as dificuldades , no puzzle das minhas emoções, consoante a forma e intensidade com que se me apresentam. Fico, no entanto, sempre com a sensação que atrás de uma dificuldade vem outra e já perdi a noção de forma geométrica, de ranhura, de encaixe e tudo está de pernas para o ar. Tenho a vida desarrumada e não sei onde me encaixar. Não encontro saída para quase nenhuma das formas variadas de dor e sofrimento que me vai na alma. Por mais que tente volto sempre ao mesmo - ao buraco. Isto das emoções é muito complicado. É quase tão complicado como tentar encaixar um quadrado na ranhura de um círculo.terça-feira, 20 de novembro de 2007
Untitled
Os fantasmas e a vida que trazemos cá dentro nem sempre são agradáveis de olhar e de ver.Há momentos em que tudo se torna demasiado real, intenso e quotidianamente insuportável. Talvez esteja nesta fase da vida onde apenas me limito a gerir o compasso estéril e monótono do tempo- sem rumo, sem alegria - cem lamentos!
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
O Voo
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Pensamentos outonais

O que se vê quando se olha?
O modo como absorvemos o exterior é partilhável, descritível, comunicável mas, no seu âmago, intransmissível.
Quando olho para as alamedas pálidas de árvores outonais, para as folhas timbradas de cor de fogo, para o restolho matizado da terra, para a paz cromática do frio do entardecer, as sensações que me invadem são indizíveis ao outro. Olha-se para a mesma coisa com uma roupagem diferente, com tonalidades da alma diferentes, com etapas de crescimento diferentes, com olhares diferentes.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Solidão

domingo, 28 de outubro de 2007
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Registos
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
O bilhete!
Sinto-me à beira do precipício, da perda de lucidez e da capacidade para analisar racionalmente as coisas. Sei que não posso cair, que não me permito cair mas isso causa-me uma dor atroz.
Na minha infância tinha medo de dormir às escuras. Às vezes acordava ao meio da noite e, apesar de saber que estava numa cama, a minha cama, não conseguia distinguir onde estava a cabeçeira, a almofada... assustava-me imenso perder a noção de espaço ou não me encontrar na ordem normal das coisas.
Hoje, às claras, novamente sozinha, parece que me encontro a (re)viver o mesmo sentimento de pânico, de não saber encaixar-me no meu espaço, de perder a noção de mim mesma. A diferença é, no entanto, abissal. Já não há uma mãe que nos aconchega e que entra no quarto e nos guia novamente pelo caminho da luz. Agora sou eu que, bem ou mal, preciso de lidar com esse pânico, com essa desorientação, no fundo com o que eu própria fui capaz de me infligir.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Obá... o baú!

Quando conto uma história ao meu filho sinto-me como se abrisse o baú das minhas memórias e, de lá, retirasse o aroma das palavras que, na minha infância, nunca tive oportunidade de fruir.
O meu filho gosta de palavras. Mesmo não percebendo o seu "real" significado, apercebe-se que servem para fazer construções imaginárias com personagens fantásticas e aventuras intermináveis.
No fundo, as palavras são tijolos que nos ajudam a construir a nossa identidade, a nossa casa interior, o nosso porto de abrigo, a nossa história.
O que faríamos sem as palavras!
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Não estou!

Não estou pensando em nada
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o verão quente do dia,
Não estou pensando em nada, e que bom!
Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...
Não estou pensando em nada.
Só, como se me tivesse encostado mal
Uma dor nas costas, ou num lado das costas,
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada...
Àlvaro de Campos
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Um dia baço

Um dia baço mas não frio...
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Papoilas outonais
Máscaras

Sozinha, quando me olho ao espelho, solto a armadura de ferro que me ergue o rosto. Não tenho ninguém a quem me mostrar a não ser a mim mesma. O reflexo nem sempre é agradável ao olhar. Sem a máscara da mulher de ferro, eficiente, elástica, polivalente, ficam apenas os traços da fragilidade, do cansaço, da aridez da pele envelhecida pelos anos e pelas lutas inglórias travadas contra mim mesma. Conheço mais a máscara do que o que está debaixo dela. Afinal não vivemos nós no mundo das aparências?
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Quadro negro?
Desiludam-se aqueles que pensam apagar da alma a sua história.A vida não é um quadro negro onde se resolvem problemas matemáticos e onde nos é permitido apagar a equação em caso de engano. Tudo fica registado. O que acontece é que vamos amontoando registos, recalcando-os, criando a ilusão de que já não existem.








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