quinta-feira, 30 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Sonhar





Há tempos pedi a uns alunos, a propósito duma canção que ouvimos cujo tema era o sonho, para me escreverem um pequeno texto sobre o assunto.
Os textos que li fizeram-me pensar sobre o que significa sonhar e o que significa para alguns alunos sonhar. Vamos por partes.
O que significa então sonhar? Será uma condição inerente a qualquer ser humano, isto é, a condição da falta e da insatisfação? Será o sonho uma arma de auto-libertação interior? Será um escape à realidade, uma fuga para dentro?
Eu pensava que o sonho está para o homem como a respiraçao está para a vida. Curiosamente, os alunos fizeram-me perceber que a capacidade de sonhar é muitas vezes acorrentada e esquecida no sótão da memória devido à realidade cinzenta e cruel do percurso de cada um. A dada altura da vida perde-se a capacidade de imaginar, de criar alternativas ao peso pesado da vida real. Porque será que isso acontece?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Dá vida à queixa que há em ti


Pega na queixa que há sempre em ti e despe-a! Dá-lhe uma barrela, esfrega-a, espreme-a, estende-a. Será que seca?
Pega nela e faz-lhe qualquer coisa. Emoldura-a e vê o que vês. Será que te revês?
Pega nela e transforma-a, dá-lhe forma, recria-a.
Talvez então consigas tirar mais partido da vida!
(Há alguns anos escrevi este pequeno texto sobre a queixa. Recupero-o , apenas por (des)graça!)

terça-feira, 21 de abril de 2009

O salto

Porque não?

sábado, 18 de abril de 2009

Momentos de paz

Fecho os olhos e sinto o cheiro da terra molhada. 
Baloiço-me no azul.  
O vento  revolta-me o cabelo e os sentidos adormecidos. 
Apanho a estrada cromática que , tendo estado sempre à minha frente, nunca  consegui alcançar.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O Caminho de casa

Pintura de Teresa de Freitas

segunda-feira, 13 de abril de 2009

domingo, 12 de abril de 2009

Labirinto

Que bela imagem da vida!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

À deriva...



Qual é o limite humanamente suportável da dor?

Quando se acredita veemente que se perdeu tudo, que se vive simplesmente para gerir problemas que surgem em catadupa, sem direcção, sem rumo, quando se encontra o vazio, o silêncio, a desolação, chega-se ao fundo do poço em que já nada faz sentido. A minha vida perdeu o rumo e o sentido e eu não sei o que faço aqui.





quinta-feira, 9 de abril de 2009

Viver é desenhar sem borracha

Num mail que hoje li, descobri uma frase muito interessante "viver é desenhar sem borracha". De facto, a vida não permite o uso da borracha, isto é, não se apagam da vida os traços que testoam , que desfiguram o desenho por nós projectado. Integrar, no mesmo esboço, o disforme e o belo, o pior e o melhor de nós, pressupõe aceitar que somos imperfeitos e incompletos, capazes de feitos de grande generosidade e simultaneamente de grande mostruosidade.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A incubação do silêncio

De que é feito o silêncio?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pique-nique-ar


Ouve-se o sussuro das folhas...
Sente-se uma brisa amena a percorrer-nos os sentidos.
Deitada, de cabeça virada para o azul do céu, vê-se o mundo numa outra dimensão.

terça-feira, 31 de março de 2009

Considerações sobre uma imagem!

Há vários dias que ando às voltas com esta imagem. Quando fecho os olhos ela acompanha-me e, sempre que quero falar dela, as palavras custam a nascer. Escrever sobre uma imagem é como dar à luz um pouco de nós. Um "ser-imagem" feito de palavras!
Das pinceladas assimétricas surge, a rasgar a monotonia do negro, uma imagem fugaz de infância, onde o desejo de construir papagaios reluzentes, mesmo sem céu para os deixar voar, nos faz flutuar o pensamento.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Ruminando...


Deixo as palavras a pairar na minha boca.
Saboreio-as.
Engulo-as e sinto-as a rasgar a garganta, a espalhar-se na minha circulação sanguínia.
Há aquelas de digestão fácil e outras que causam sérios transtornos gástricos, cólicas, que fazem rodopiar de dor.
Ainda assim, sem palavras, de que me alimentaria?

domingo, 29 de março de 2009

Tonalidades

Para quem gosta tanto de admirar o seu umbigo, não resta muito mais que o preto e branco.


sábado, 28 de março de 2009

What does wish mean?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Running in circles




Quantas torções estamos dispostos a dar na vida pensando que iremos chegar a sítios diferentes? Não será o anel de Moebius uma metáfora da própria condição humana? Escolher a ausência de escolha?
Se calhar, o busílis da questão está em pensarmos, ilusoriamente, que nos é dada a possibilidade de escolher a direcção a seguir.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Caminhos

"A palavra pode indicar-nos o caminho, mas percorrê-lo é outra coisa".

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Paisagem de chuva

Toda a noite, e pelas horas fora, o chiar da chuva baixou. Toda a noite, comigo entredesperto, a monotonia liquida me insistiu nos vidros. Ora um rasgo de vento, em ar mais alto, açoitava, e a água ondeava de som e passava mãos rápidas pela vidraça; ora com som surdo só fazia sono no exterior morto. A minha alma era a mesma de sempre, entre lençois como entre gente, dolorosamente consciente do mundo. Tardava o dia como a felicidade - áquela hora parecia que também indefinidamente.Se o dia e a felicidade nunca viessem! Se esperar, ao menos, pudesse nem sequer ter a desilusão de conseguir.O som casual de um carro tardo, áspero a saltar nas pedras, crescia do fundo da rua, estralejou por debaixo da vidraça, apagava-se para o fundo da rua, para o fundo do vago sono que eu não conseguia de todo. Batia. de quando em quando, uma porta de escada. Ás vezes havia um chapinhar liquido de passos, um roçar por si mesmos de vestes molhadas. Uma ou outra vez, quando os passos eram mais, soava alto e atacavam. Depois, o silêncio volvia, com os passos que se apagavam, e a chuva continuava, inumeravelmente. Nas paredes escuramente visiveis do meu quarto, se eu abria os olhos do sono falso, boiavam fragmentos de sonhos por fazer, vagas luzes, riscos pretos, coisas de nada que trepavam e desciam. Os móveis, maiores do que de dia, manchavam vagamente o absurdo da treva. A porta era indicada por qualquer coisa nem mais branca, nem mais preta do que a noite, mas diferente. Quanto á janela, eu só a ouvia.Nova, fluida, incerta, a chuva soava. Os momentos tardavam ao som dela. A solidão da minha alma alargava-se, alastrava, invadia o que eu sentia, o que eu queria, o que ia sonhar. Os objectos vagos, participantes, na sombra, da minha insónia, passam a ter lugar e dor na minha desolação.

Bernado Soares