quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sentimentos perecíveis

Foto: minha,museu da caça , Vila Viçosa 2011

Como tudo na vida, há composições que, para além de belas, parecem perfeitas. Quando olho para esta foto, não sei dizer bem porquê, mas sinto que tem tudo a ver comigo. Talvez pela leveza e simplicidade.
Resta-me um longa caminhada até conseguir criar uma forma para os meus estilhaços interiores.

terça-feira, 13 de março de 2012

Palavras avessas

Imagina uma palavra: reta.
Encontras-lhe alguma curva?
E aresta?
E no avesso da palavra?
Vês alguma sombra aguda?
Não!
Então deixa-a descansar.
O caminho é longo e em linha recta.
Não queiras saber se as palavras têm avessos.
Construir palavras curvas, obtusas e giras, com espaços de luz, clareiras matizadas conduz-me à agudeza do significado das palavras

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

(L)evita-me...



Leva-me.
Deixa ficar o chumbo dos dias
o peso das memórias
a matéria dos sonhos.
Quero ser vento
sopro etéreo
sem contorno
volátil.
Leva-me para dias sem horas
onde o sopro se entorne
e as emoções gravitem.
Ouve.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Aventar

Paulo Nozolino
Já consegues saborear o vento sem pressa? Enquanto o não fizeres, ainda não percebeste nada sobre a vida.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Outonalidades

Brett Weston, Vintage White Sand
Encontra-me ao luar
onde o prazer da noite se mistura na maresia
onde o meu rosto se deslumbra no abismo do teu ombro
onde nada existe a não ser um corpo tingido
inerte
uma alma fria
desencantada
e o branco
agressivamente branco
numa vida de tonalidade fria



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cooltivar

Edward Weston- "Tomato Fields"

"Cool"tivar é o meu grande objectivo de vida. Plantar sem esperar pela colheita. Contra ventos e tempestades tudo cresce, tudo se transforma.

domingo, 7 de novembro de 2010

Sussurros

Foto:William Henry Fox Talbot

Volto ao encontro do riso e do choro das palavras, do prazer quente que elas me dão.
Desfolho-me em murmúrios desconexos e amarelecidos que, caídos no chão, baloiçam ao som do vento e se perdem na multidão.


Cai a chuva sem porquê

Garry Fabien Miller, Honesty, 1990

Cai a chuva sem porquê.

Sinto sem porquê, mas sinto.

Estou presa, dentro de mim, ao eterno (des)equilibrio do sem porquê.


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Branco

Foto: Ralph Meatyard


O tique-taque marca o tempo
dentro do tempo um intervalo de silêncio
um hiato de vazio
um afunilamento para dentro
branco
tudo é branco
cortes profundos de branco
escorrendo.


sábado, 12 de junho de 2010

Entardecer

Foto: Edward Weston

Espera-me ao entardecer
onde o grito e a palavra se fundem na palidez
onde a história se conta de silêncio
onde o vento é a única voz

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O Carrossel da vida

Foto: Eugène Atget
O carrossel é um brinquedo de emoções. Uma metáfora da vida.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Olha...

Foto: John Szarkowski

As portas barram-nos o olhar, separam o que está dentro do que está fora e trazem o som do silêncio. Abrir portas pressupõe criatividade. No fundo, aprender a olhar para o que está dentro e fora e criar a partir do silêncio.

quarta-feira, 2 de junho de 2010


Despe o olhar... um corpo não é só um corpo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Paranoia

Pintura: Egon Schiele, Self Portrait

Há pessoas que são piores que vermes. Mentes perversas que, não conseguindo lidar com a realidade, inventam universos paralelos, com personagens articuladas à sua medida e consoante as necessidades. Quando a realidade não encaixa na ficção abre-se o espaço perfeito para a paranoia, mania da perseguição, desconfiança da própria sombra e espionagem. Pior, começa-se a denegrir, a desconstruir o outro apenas com o objectivo de o aproximar do monstro em que agora se tornou, exactamente por não seguir a via idealizada.
Não sei porquê, mas acho que me encontro dentro de um livro de Kafka, onde o mais absurdo é elevado ao limite.
Haja paciência!

domingo, 23 de maio de 2010

Des(compassada)



As mãos são trémulas, o olhar vagueia num mundo que se torna cada vez mais inacessível. As palavras desfocadas teimam exaustivamente em repetir-se.

Quem olha não quer ver, nem ouvir, nem sentir, nem pensar.

Às vezes, quando a dor se torna tão aguda como o espetar de agulhas em feridas lacinantes, tende-se a perder os sentidos. O mesmo acontece quando temos que aceitar, de forma impotente, o passar do tempo naqueles que amamos.

sábado, 22 de maio de 2010

Tesouro incalculável

Foto: João P

Obrigado por existires e por trazeres sentido à minha vida. Há oito anos que me fazes crescer. Parabéns!

domingo, 16 de maio de 2010

Trajectórias

Pintura: J. Miró, Estrela Azul
Ontem fui voar...

O que queres para ti?



-Fale-me do seu desejo!


Fiquei sem pinga de sangue. Afinal, o que me estava a perguntar? Do que iria agora falar? Não tinha tema. O desejo não tem um tema específico e não é algo que possa ser facilmente materializado em palavras. Voltei a pensar no que iria dizer.


-Desejo... como? Desejamos sempre muitas coisas!?


- Mas o desejo pertence a cada um e, como tal, deve ter uma ideia do que deseja.


- Bem, é verdade. Mas a que área do desejo se refere? Agora que penso nisso, até parece haver uma geografia do desejo.


-Geografia do desejo? Explique lá melhor.


-Bem, não sei. Acho que me perdi um pouco nas palavras. ehhhh....bom, no fundo, eu desejo, como toda a gente, ser feliz. Como vê, não é nada original o meu desejo.


-E o que é isso de ser feliz?

-Isso também é difícil de explicar. Mas penso que a felicidade não existe.

-E ainda assim é isso que procura, o que não existe.

-Talvez. Não é isso o que procuramos todos, o que não existe?

sábado, 8 de maio de 2010

Diamante lapidado com fissuras

Foto: DoB
O poder das palavras tem mais brilho que um diamante. Sem elas como o descreveria?